
A Expoflora 2026, em Holambra (SP), apresenta neste ano 18 projetos na tradicional Mostra de Paisagismo e Decoração. Os ambientes exploram diferentes maneiras de incorporar plantas, arquitetura, arte e elementos naturais a espaços destinados ao descanso, à convivência e ao bem-estar.
A exposição integra a programação da 43ª edição da Expoflora, realizada entre 28 de agosto e 27 de setembro. O evento recebe visitantes às sextas-feiras, sábados e domingos, além do feriado de 7 de setembro, das 9h às 19h.
Mais do que apresentar jardins decorativos, a mostra deste ano aposta na relação entre o paisagismo e as sensações provocadas pelos ambientes. Água, iluminação, aromas, vegetação, texturas e diferentes materiais são utilizados em projetos que vão desde varandas compactas até áreas gourmet, espaços de banho e jardins voltados à inclusão.
Expoflora 2026 aposta em paisagismo ligado ao bem-estar
Entre as principais características da Mostra de Paisagismo da Expoflora 2026 está a preocupação com a experiência de quem utiliza cada ambiente.
Um exemplo é o projeto Refúgio, dos profissionais Danilo Gürtler e Gisele Villa. O espaço combina paisagismo e conceitos de neuroarquitetura, com atenção especial às necessidades de pessoas no espectro autista.
O ambiente utiliza iluminação mais suave, água em movimento, tecidos, cores discretas e vegetação distribuída de maneira a favorecer momentos de descanso e reduzir estímulos excessivos.
Em uma proposta bastante diferente, o Ambiente Dopamina, criado por Raquel Cury, Ingrid Morato e Maurício Mello, aposta em cores, vegetação tropical e uma área central de convivência. A ideia é estimular encontros entre familiares e amigos e incentivar momentos de interação longe das telas.
Jardim para animais de estimação é uma das atrações
A convivência entre pessoas e animais também aparece entre os projetos.
O ambiente Natureza Compartilhada, da arquiteta e paisagista Carla Dadazio, apresenta um jardim desenvolvido para cães, gatos e seus tutores. A escolha das plantas prioriza espécies consideradas não tóxicas para os animais.
O projeto ainda reúne espaços para descanso, fontes, comedouros, áreas de circulação e elementos de fácil manutenção.
Além da proposta pet friendly, o ambiente incorpora soluções relacionadas à biodiversidade, jardinagem e aproveitamento da água da chuva.
Arte, ancestralidade e memória aparecem nos jardins
Alguns dos 18 ambientes utilizam o paisagismo para contar histórias e trabalhar referências culturais.
No Jardim da Memória Afro-Brasileira, Denise Valêncio e Tainã Dorea homenageiam conhecimentos transmitidos por mulheres negras ao longo de diferentes gerações.
Plantas medicinais, espécies alimentícias não convencionais, objetos, fotografias e obras de artistas integram a composição. O espaço também recupera elementos associados às antigas varandas e quintais familiares.
Já o Jardim Mandala Florida, da artista Marisa Trippia, aproxima artes visuais e natureza. Centenas de vasos de kalanchoes, SunPatiens, bromélias, palmeiras e orquídeas são distribuídos pelo ambiente, cujo elemento central é uma grande composição em formato de mandala.
A artista também realiza trabalhos em tela no próprio espaço durante o evento.
Mostra apresenta soluções para espaços pequenos
Quem mora em apartamentos ou imóveis com áreas externas reduzidas também encontra referências na mostra da Expoflora 2026.
A Varanda Tropical, desenvolvida por Yully Hollowatj e Barbara Ortiz, reproduz uma área verde inspirada nas varandas de apartamentos urbanos.
Cerca de 137 plantas de 16 espécies fazem parte do projeto. Além da escolha da vegetação, as profissionais utilizam vasos leves, drenagem e irrigação automatizada por gotejamento como alternativas para locais com pouca profundidade disponível para o plantio.
No espaço Entre Cores e Folhagens, da paisagista Neide Tobias, um contêiner se transforma em uma pequena residência integrada a um jardim.
O projeto utiliza flores, folhagens, parede verde, pergolado e piso drenante para mostrar como ambientes compactos podem receber diferentes funções sem abrir mão da presença da natureza.
Jardins exploram comida, fogo e momentos de convivência
A relação entre paisagismo e encontros familiares também está presente em diferentes ambientes da mostra.
O Entre Brasa e Brisa, assinado por Fátima Regina de Souza e Maria Fernanda Padovese, recria uma área de lazer com piscina, churrasqueira, pergolado, fogo de chão e espaços de descanso.
A vegetação é utilizada para conectar os diferentes setores do projeto, que também trabalha com madeira ecológica e jardim vertical.
Outra proposta voltada à convivência é o Entre Pausas, dos profissionais Isabela Perin Corbo, Luiz Henrique Coelho de Faria, Leandro de Pádua Russo e Edson Farias.
O ambiente reproduz uma área externa residencial com spa, mesa de madeira, lareira ecológica, vegetação e equipamentos destinados ao entretenimento.
Café ganha espaço próprio entre os projetos
A produção de café inspirou as arquitetas Stellamaris Pezotti e Ester Pezotti na criação do ambiente Café ao ar livre.
Além de mudas de café, o jardim utiliza plantas tropicais, folhagens e materiais reaproveitados da própria atividade agrícola da família das profissionais.
Troncos de cafeeiros retirados durante a renovação da lavoura foram transformados em um painel, enquanto antigos carretéis utilizados em obras ganharam nova função como mesas.
Outro elemento de destaque é uma banheira instalada em meio à vegetação, reforçando a proposta de aproximar ambientes tradicionalmente internos da natureza.
Projeto mostra diferença entre espaços com e sem paisagismo
Uma experiência visual direta é apresentada no ambiente O Poder do Verde, desenvolvido por Neide Tobias e Carla Dadazio.
O projeto coloca lado a lado duas áreas praticamente iguais em arquitetura, mobiliário e materiais.
A principal diferença está na vegetação.
Enquanto um dos lados recebe um paisagismo tropical mais elaborado, o outro mantém apenas uma presença reduzida de plantas. Com isso, o visitante pode comparar como o uso do verde modifica a percepção do mesmo espaço.
Referências internacionais também aparecem na Expoflora
A Mostra de Paisagismo e Decoração também traz ambientes inspirados em diferentes culturas e períodos históricos.
O Jardins das Mil e Uma Flores, do artista Francisco Suelo, utiliza referências dos Emirados Árabes Unidos. Aproximadamente mil plantas fazem parte do cenário, além de esculturas em madeira, jardins verticais e peças criadas pelo próprio artista.
Já o ambiente Nos Jardins do Rei, de Fernando Mattos e Daniela Inácio Moreno, parte dos tradicionais jardins formais franceses para criar uma composição baseada em simetria, formas geométricas e um eixo central.
Lavandas, buxinhos, diferentes variedades de fícus, jabuticabeira e limoeiro fazem parte do projeto, que ainda conta com fonte e esculturas representando as quatro estações do ano.
Casas antigas e quintais inspiram outros projetos
Memórias familiares também aparecem no ambiente História, afeto e propósito, da paisagista Neide Tobias.
O projeto apresenta referências de antigas casas de campo brasileiras, utilizando elementos como fachada inspirada em taipa de pilão, telhas cerâmicas, cadeira de balanço, rede e vegetação tropical.
Outro ambiente que trabalha a entrada da residência como parte importante da experiência é o Jardim da Chegada, de Fátima Regina de Souza e Maria Fernanda Padovese.
O espaço combina fachada, vegetação, iluminação, jardim vertical e uma estrutura vazada em aço corten.
Ateliê mostra como nasce um projeto paisagístico
Nem todos os espaços se concentram apenas no resultado final de um jardim.
No Atelier do Paisagista, Cléia Thomazini e Orpheu Thomazini apresentam bastidores do trabalho desses profissionais.
Desenhos, ferramentas, materiais, sistemas de irrigação e soluções para reaproveitamento de água fazem parte do ambiente, que também conta com mais de 600 plantas.
Os mesmos profissionais são responsáveis pelo Santuário Azure, espaço destinado ao banho e ao descanso em meio à vegetação. A composição reúne banheira artesanal, chuveiro, jardim vertical e mais de 700 plantas.
Ateliê botânico mistura plantas, arte e atividades manuais
O Ateliê Flor&Ser – Botanic Art & Decor reúne paisagismo, arte e espaços destinados à permanência.
O projeto de Fabiana Vieira, Fernando Comparoni e Raissa Comparoni utiliza plantas tropicais, ervas aromáticas, jardim vertical e áreas para leitura e descanso.
A proposta também prevê atividades relacionadas a arte, cultivo de plantas e técnicas como kokedama.
Ao reunir projetos tão diferentes, a Mostra de Paisagismo e Decoração da Expoflora demonstra como a vegetação pode assumir funções que vão além da ornamentação. Os ambientes apresentam soluções relacionadas à convivência, inclusão, sustentabilidade, memória e qualidade de vida, além de oferecer referências que podem ser adaptadas para residências de diferentes tamanhos.
Serviço – Expoflora 2026
Evento: 43ª Expoflora
Data: de 28 de agosto a 27 de setembro de 2026
Dias de funcionamento: sextas-feiras, sábados e domingos, além de 7 de setembro
Horário: das 9h às 19h
Local: Parque da Expoflora, em Holambra (SP)
Informações e ingressos: disponíveis nos canais oficiais da Expoflora.

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