A crise do saneamento básico e o odor insuportável que paira sobre diversos bairros voltaram à pauta do Legislativo nesta semana. De fato, a construção de uma nova ETE em Hortolândia (Estação de Tratamento de Esgoto) tornou-se uma exigência urgente e inadiável.

Em apoio aos moradores e comerciantes que sofrem diariamente com o mau cheiro produzido pela emissão de gases da atual estação, o vereador Nei Prazeres (PP) tomou a frente da reivindicação. O parlamentar apresentou uma moção de apelo oficial à Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

O documento pede celeridade máxima no início das obras da nova unidade. Segundo especialistas e autoridades locais, essa é a única intervenção capaz de eliminar definitivamente o odor que afeta a qualidade de vida na região.

A moção foi aprovada pela Câmara Municipal durante a última sessão legislativa, realizada no dia 15 de dezembro. A medida reflete o esgotamento da paciência da população, que convive com promessas de melhorias enquanto a situação se agrava.

Sobrecarga e crescimento populacional

Desde que assumiu o mandato, no dia 03 de novembro passado, o vereador Prazeres tem recebido uma enxurrada de reclamações. Os relatos vêm de moradores e comerciantes de bairros vizinhos à estação, como o Condomínio Jatobá e o Residencial Franceschini.

Além destes, áreas adjacentes como a Vila Real e o Remanso Campineiro também sofrem com o forte odor, dependendo da direção do vento.

Para o vereador, a matemática é clara: a cidade cresceu, mas a infraestrutura parou no tempo. “Como é de conhecimento público, a estrutura da ETE está ultrapassada para o desenvolvimento apresentado por Hortolândia nos últimos anos e funciona com sobrecarga. A construção da nova ETE tem que ser urgente para garantir qualidade de vida”, afirmou Nei Prazeres.

Os dados demográficos comprovam a tese. Quando a atual ETE foi inaugurada, em 2009, Hortolândia tinha uma população de 192.692 habitantes, segundo o IBGE.

Hoje, conforme dados do censo de 2022, 236.641 pessoas moram na cidade. Isso representa um crescimento populacional de mais de 22%.

Consequentemente, o sistema entrou em colapso. Atualmente, a ETE foi construída com capacidade nominal para tratar 350 litros de esgoto por segundo. No entanto, ela recebe em média 450 litros por segundo de detritos. Ou seja, opera muito acima do limite seguro.

Arsesp aponta negligência

A situação técnica da estação é crítica e já foi alvo de fiscalização. Um relatório da Arsesp (Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado de São Paulo), elaborado em julho do ano passado, trouxe revelações preocupantes.

O documento técnico aponta que “a emissão de odores é consequência da má operação da estação, com negligência na gestão de lodo na ETE”.

Além disso, o relatório indicava que tubulações e equipamentos essenciais estão deteriorados. A operação com vazão acima da capacidade projetada acelera o desgaste e impede o tratamento biológico adequado, resultando na liberação de gás sulfídrico (o cheiro de ovo podre).

Portanto, a demanda pela nova ETE em Hortolândia não é estética, mas uma questão de saúde pública e cumprimento de normas ambientais.

Promessas e novos protestos

A pressão popular tem sido constante. Após um grande protesto de moradores realizado em junho, a Sabesp anunciou medidas emergenciais.

A companhia prometeu realizar a limpeza e a retirada do lodo acumulado nas lagoas de decantação — apontada como a causa principal do fedor imediato. Posteriormente, a empresa apresentou um pré-projeto ambicioso.

A proposta da nova ETE em Hortolândia prevê uma unidade totalmente enclausurada (fechada), com filtros modernos para purificação de gases e tecnologia avançada. A nova planta seria capaz de tratar cerca de 575 litros de esgoto por segundo, cobrindo o déficit atual e prevendo crescimento futuro.

No entanto, a morosidade na execução revolta a cidade. O mau cheiro continua a incomodar, o que motivou uma nova manifestação no último dia 02 de janeiro.

“É preciso agilidade na contratação e realização da obra. Até quando Hortolândia vai esperar?”, questiona o vereador Prazeres na moção.

O impacto na economia local

Além do desconforto físico, o problema afeta a economia. Comerciantes do entorno relatam queda no movimento, pois clientes evitam frequentar estabelecimentos onde o cheiro de esgoto é constante.

O setor imobiliário também sente o impacto, com a desvalorização de imóveis em bairros que, teoricamente, seriam nobres. A solução definitiva, portanto, é vital para o desenvolvimento econômico do município.

A Câmara Municipal espera que, com a aprovação da moção, a direção estadual da Sabesp priorize o orçamento para a obra em 2026. Enquanto isso, a população segue monitorando e cobrando ar limpo.

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