
A cidade de Monte Mor amanheceu em estado de alerta máximo nesta sexta-feira (30). O cenário é de emergência em Monte Mor, com diversos pontos de alagamento que bloqueiam ruas e invadem a rotina dos moradores. A persistência das chuvas, somada à água que desce das cabeceiras, fez o Rio Capivari subir novamente, atingindo bairros ribeirinhos.
Segundo o balanço oficial da Prefeitura, não há, até o momento, famílias tecnicamente desalojadas (que precisam de abrigo público). No entanto, a situação é volátil. Moradores de dois bairros críticos — Jardim Progresso e Vila Farid Callil — já foram notificados oficialmente sobre o risco iminente e a necessidade de evacuação caso o nível suba mais alguns centímetros.
O município já havia se antecipado ao caos, decretando oficialmente situação de emergência nesta quinta-feira (29). A medida visa agilizar a resposta do poder público frente aos estragos causados pelas tempestades atípicas desta semana.
Dados pluviométricos: Por que alagou tanto?
A Defesa Civil de Monte Mor mantém monitoramento contínuo dos cursos d’água. Os números explicam a saturação do solo e o transbordamento.
O acumulado de chuvas nas últimas 72 horas chegou à marca impressionante de 125,8 milímetros. Apenas durante a noite de ontem para hoje, o maior índice pluviométrico registrado foi de 38,8 mm, captado pela estação meteorológica do Jardim Paviotti.
Porém, o problema não é apenas a chuva local. Durante a madrugada, o município recebeu uma grande carga d’água proveniente de Campinas, cidade vizinha localizada em uma altitude maior.
Toda a água que cai na metrópole escoa para a Bacia do Capivari. Na estação do Jardim das Bandeiras (Campinas), o índice foi de 40,6 mm, volume que agora pressiona as calhas dos rios em Monte Mor.
Situação nos bairros (Atualizado às 09h15)
A Prefeitura divulgou um boletim sobre as áreas monitoradas nesta manhã:
- Jardim Progresso: Equipes da Defesa Civil estão em campo com orientação direta e presencial aos moradores.
- Capuavinha: A calha do rio está cheia, operando no limite, mas sem transbordamento significativo no momento.
- Rua Antônio La Velha Júnior: Ponto crítico monitorado, apresentando variação constante de nível ao longo da madrugada.
O drama de quem vive na área de risco
Por trás dos números, há o drama humano. Na Vila Farid Callil, a rotina de medo se repete. O morador Odair dos Santos relata a exaustão de viver monitorando o nível da água.
“A gente acostumou com isso aí, então vai fazer dois anos que eu moro aqui. Se entrar água, eu vou para a casa da minha mãe”, relata Odair, já com o plano de fuga preparado.
Para a faxineira Eliane da Silva, a manhã foi de transtorno. Ela precisou atravessar uma rua alagada, com água suja, para conseguir sair de casa e buscar refúgio na residência da mãe. A indignação dela é com a falta de soluções definitivas.
“O prefeito diz que vai mudar e nunca muda. Eles arrumaram o rio, não adiantou nada”, desabafa Eliane, citando obras de desassoreamento que, aparentemente, não contiveram a força das águas deste verão.
Já Eva Soares, dona de casa, vive a angústia de mãe. Ela conta que se mudou do bairro justamente por conta das enchentes recorrentes, mas sua filha permaneceu no local.
“Eu já fico com o coração doendo, né? Porque eu sei que vai entrar água aqui. Eu já estava até começando a entrar em depressão. Aí a gente saiu daqui, só que hoje a minha filha está morando aqui e eu estou preocupada”, conta Eva.
Abrigo e Plano de Contingência
Diante da emergência em Monte Mor, um Plano de Contingência e Proteção foi ativado pela administração municipal.
A prefeitura informou que qualquer pessoa que se sinta em risco ou que precise sair de casa será acolhida. O ponto oficial de abrigo é o Ginásio de Esportes Durval Gonçalves, localizado na Praça Princesa Isabel.
No local, as famílias terão acesso a colchões, alimentação e suporte da assistência social.
Decreto de Emergência: Estragos contabilizados
O decreto assinado na quinta-feira (29) tem vigência de 180 dias. Ele permite que a cidade faça compras sem licitação e adote medidas administrativas urgentes para reparar danos.
O documento classifica o volume de chuva registrado na quarta-feira (28) como “anormal e inédito”. Naquele dia, foram 70,3 milímetros em apenas 40 minutos — uma verdadeira “bomba d’água”.
O saldo da destruição na infraestrutura da cidade é pesado:
- Queda de três pontes de madeira na zona rural;
- Solapamento do solo com arrancamento de asfalto em diversos bairros;
- Queda de quatro muros de arrimo ou residenciais;
- Três residências parcialmente interditadas pela Defesa Civil;
- Pontos graves de erosão em estradas rurais;
- Comprometimento das margens dos córregos;
- Alagamentos generalizados causados pelo entupimento de galerias que não suportaram a vazão.
A Prefeitura e a Defesa Civil pedem que a população evite transitar por áreas alagadas, pois há risco de doenças (como leptospirose) e acidentes com bueiros abertos ou correnteza.
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