
HORTOLÂNDIA — O prazo para o pagamento regular do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2026 terminou no mês passado, mas um dado chama a atenção e acende um alerta financeiro na região: Hortolândia lidera com folga o ranking de inadimplência entre as cinco maiores cidades locais.
Atualmente, 24,5% dos proprietários de veículos da cidade estão com o imposto atrasado. Isso significa que praticamente um em cada quatro motoristas hortolandenses não regularizou a situação de seus veículos, superando índices de municípios vizinhos.
Para efeito de comparação, Campinas possui o maior montante financeiro em dívidas (R$ 213,9 milhões), mas sua taxa de inadimplência é bem menor, na casa dos 15,6%.
Ranking Regional de Inadimplência
Abaixo, a comparação entre as cinco maiores cidades da região que compõem o balanço (que inclui tanto débitos de 2026 quanto de anos anteriores):
| Posição | Cidade | Índice de Inadimplência |
| 1º | Hortolândia | 24,5% |
| 2º | Sumaré | ~ 21,0% |
| 3º | Indaiatuba | 16,5% |
| 4º | Americana | ~ 16,0% |
| 5º | Campinas | 15,6% |
O Peso do Atraso: Multas e Consequências
O IPVA é obrigatório para todos os veículos com menos de 20 anos de fabricação e corresponde a 4% do valor venal do automóvel. Especialistas alertam que ignorar o tributo pode gerar uma bola de neve financeira.
Quem não paga o imposto no prazo fica sujeito a:
- Multa diária: 0,33% por dia de atraso.
- Juros: Calculados com base na taxa Selic.
- Multa fixa: Após 60 dias de atraso, a multa estaciona e passa a corresponder a pesados 20% do valor total do imposto.
Se a dívida persistir, o débito é inscrito na Dívida Ativa do Estado. Com isso, o nome do proprietário pode parar no Cadin Estadual, o que impede o resgate de benefícios, como os créditos da Nota Fiscal Paulista, e abre margem para cobrança judicial por parte da Procuradoria Geral do Estado.
A Raiz do Problema: Descontrole e Baixa Renda
A liderança de Hortolândia e os altos números da região refletem um cenário econômico desafiador. Para o professor de economia e finanças Fabrício Pessato, a alta inadimplência tem raízes profundas na organização financeira e na renda da população.
“Esse ciclo de endividamento alto tem a ver com o descontrole das finanças pessoais. Tem a ver com uma questão estrutural de cultura, em que a gente tem, estruturalmente, salários muito baixos. As pessoas acabam se endividando, entrando no cheque especial, no rotativo do cartão de crédito”, explica Pessato.
O especialista orienta que quem depende do carro para garantir o próprio sustento não pode deixar a dívida escalar. “Ela vai ter que arrumar uma forma de pagar isso. Fazer um empréstimo bancário ou recorrer a amigos e parentes. Se estiver negativada, pode procurar o Desenrola, um programa do governo que auxilia as pessoas a saírem desse endividamento”, recomenda.
Como Regularizar a Situação
Colocar o IPVA em dia é um processo prático e automatizado. O sistema da Secretaria da Fazenda calcula sozinho o valor atualizado da dívida, com multas e juros já embutidos. Veja as opções:
- Rede Bancária e Lotéricas: Basta comparecer a um local autorizado e informar o número do Renavam do veículo.
- Pagamento via PIX: O contribuinte pode acessar o Sistema PIX IPVA para gerar um QR Code e efetuar o pagamento pelo aplicativo de seu banco.
- Dívidas Antigas (Mais de 5 anos): Nesse caso específico, é necessário gerar uma Guia de Arrecadação de Receitas Estaduais (GARE) no site oficial da Fazenda.
Para Onde Vai o Seu Dinheiro?
Regularizar o IPVA não evita apenas dores de cabeça para o motorista, mas também garante repasses fundamentais para Hortolândia. O valor arrecadado é fatiado e devolvido à sociedade da seguinte forma:
- Governo Estadual: 40%
- Governo Municipal (Hortolândia): 40%
- Fundeb (Educação Básica): 20%
A verba não é restrita à manutenção de ruas e rodovias. A parcela que cabe a Hortolândia pode ser aplicada pela prefeitura onde for mais necessário, como no financiamento de melhorias na saúde, infraestrutura e segurança pública da cidade, enquanto um quinto de todo o montante é carimbado exclusivamente para projetos de educação pública.
Sobre o Autor