
O recente alerta mundial emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que reclassificou a doença como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, colocou o Brasil em estado de atenção. A confirmação de um caso de infecção por Mpox em Porto Alegre (RS) nas últimas semanas reforçou a suspeita de que o vírus, em suas diferentes formas, continua circulando pelo país.
A boa notícia no campo da ciência e da medicina diagnóstica é que a rede laboratorial brasileira já está preparada para identificar a mutação mais recente do vírus. Um exame específico, disponível em 14 estados, provou ser capaz de diagnosticar com precisão a nova variante da Mpox (conhecida como 1b).
A agilidade no diagnóstico é a principal arma para conter o avanço das transmissões, especialmente no estado de São Paulo, que lidera as notificações nacionais.
O avanço dos casos em São Paulo e região
De acordo com os últimos boletins epidemiológicos, o Brasil possui até o momento 88 casos notificados da doença. Deste total, a grande maioria está concentrada no estado de São Paulo, que já soma 62 registros.
O vírus tem se espalhado por diversas regiões do estado. Os pacientes confirmados foram notificados em cidades de diferentes portes, incluindo Araraquara, Bauru, a Capital paulista, Caraguatatuba, Franco da Rocha, Jales, Mogi das Cruzes, Osasco, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba e Taubaté.
Na nossa área de cobertura, a cidade de Campinas informou 5 notificações, o que acende um alerta amarelo para os municípios vizinhos, como Hortolândia e Sumaré, devido ao alto fluxo intermunicipal de pessoas.
Como funciona o exame para a nova variante?
O diagnóstico preciso e seguro é realizado exclusivamente por exames laboratoriais. O teste RT-PCR Mpox, desenvolvido pelo Sabin Diagnóstico e Saúde, passou por atualizações e agora é plenamente capaz de detectar os casos causados pela nova variante da Mpox (cepa 1b).
A coleta do material é relativamente simples, mas exige protocolos rigorosos de biossegurança:
- O exame é realizado a partir de uma amostra coletada com um swab (uma espécie de cotonete longo e estéril, específico para análises clínicas).
- Um profissional de saúde treinado faz a coleta esfregando o swab diretamente nas lesões cutâneas (pele) ou mucosas do paciente que possuam aspecto de vesículas, úlceras ou crostas.
- Como o paciente suspeito deve se manter em isolamento rigoroso, o exame está disponível para agendamento de coleta domiciliar ou em regime de drive-thru seguro.
“Considerando a recente reclassificação da doença pela OMS, realizamos análises de bioinformática em nosso setor de Biologia Molecular que confirmam que o teste de detecção ofertado é capaz de detectar a nova variante”, explica a biomédica Graciela Martins, gerente do Núcleo Técnico Operacional (NTO) do Sabin.
Transmissão e Sintomas da Mpox
O Ministério da Saúde esclarece que a doença é causada pelo vírus MPXV (gênero Orthopoxvirus). Trata-se de uma zoonose viral, ou seja, uma doença que pode ser transmitida de animais para humanos (como roedores silvestres), mas que atualmente tem sua principal força na transmissão pessoa a pessoa.
Como o vírus é transmitido?
- Pelo contato direto e prolongado com as lesões de pele de uma pessoa infectada;
- Pela troca de fluidos corporais em interações muito próximas;
- Pelo contato com materiais recém-contaminados, como roupas de cama, toalhas e talheres.
Quais os sinais de alerta? O intervalo de incubação — do primeiro contato com o vírus até o início dos sintomas — é tipicamente de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21. Fique atento se apresentar:
- Bolhas na pele de forma aguda;
- Febre acima de 38,5 °C;
- Linfonodos inchados (as famosas “ínguas”, principalmente no pescoço e virilha);
- Dores musculares, nas costas e fraqueza intensa.
As erupções na pele geralmente começam de um a três dias após o início da febre. O paciente só deixa de transmitir o vírus quando todas as feridas secam, as crostas caem e uma nova camada de pele se forma.
Protocolo e Tratamento
Se você apresentar sintomas suspeitos, a primeira atitude é procurar atendimento médico imediato e se isolar em um cômodo separado da casa. A higiene constante das mãos com água e sabão é fundamental.
Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda um isolamento rigoroso de 21 dias para pacientes que testam positivo para a Mpox.
A boa notícia é que a doença geralmente é autolimitada. Isso significa que, na grande maioria dos casos, a enfermidade costuma desaparecer de forma espontânea após o ciclo do vírus, sem a necessidade de medicamentos antivirais específicos (apenas remédios para aliviar a dor e a febre).
A atenção clínica deve ser redobrada para evitar complicações graves em grupos de risco, que incluem crianças pequenas, mulheres grávidas ou pessoas com imunossupressão (sistema imunológico enfraquecido) devido a outras doenças. O surto atual ainda apresenta um nível considerado baixo de transmissão fora do continente africano, mas a vigilância contínua é a chave para a nossa proteção coletiva.

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