
A cidade de Hortolândia amanheceu em luto nesta quarta-feira (11). O município perdeu, na noite de ontem (terça-feira, 10), uma das figuras mais marcantes de seu comércio e, sobretudo, de sua história recente. A notícia de que morre Renato Figueiredo, ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Hortolândia (ACIAH), comoveu empresários, autoridades e moradores antigos da cidade.
Renato Martins Figueiredo não foi apenas um líder classista; foi um visionário que viu Hortolândia crescer de um simples distrito para uma potência econômica. Sua trajetória se confunde com o desenvolvimento do comércio local e com a urbanização do Jardim Amanda, bairro onde escolheu fincar raízes e construir sua vida.
A causa da morte não foi divulgada oficialmente pela família até o fechamento desta edição, mas as manifestações de pesar já inundam as redes sociais, relembrando o caráter íntegro e trabalhador de Renato.
Um legado à frente da ACIAH
Renato Figueiredo esteve à frente da presidência da ACIAH por muitos anos, em um período crucial para a consolidação do comércio hortolandense. Sua gestão foi marcada pelo dinamismo e pela busca incessante de valorização do empresário local.
Ao lado de nomes de peso como Almir Grazino e Cleber Marola, Renato formou uma trinca de liderança que promoveu uma verdadeira revolução na forma de fazer networking na cidade. Juntos, organizaram uma série de eventos memoráveis, desde jantares empresariais de gala até grandes encontros de negócios que colocaram Hortolândia no mapa regional.
Sua atuação é lembrada pelos colegas como fundamental para o fortalecimento da rede de negócios. Renato acreditava que um comércio forte era a base para uma cidade independente. Ele lutou para que os moradores consumissem dentro do município, gerando emprego e renda localmente, numa época em que muitos ainda viam Hortolândia apenas como “cidade dormitório”.
O guardião da memória do Jardim Amanda
Além do protagonismo indiscutível no setor empresarial, Renato Figueiredo deixa uma contribuição inestimável para a memória cultural e urbanística da cidade. Ele assumiu para si a missão de ser um “guardião da história”.
Renato foi responsável por documentar, de forma minuciosa, o nascimento e a expansão do Jardim Amanda. Através de um acervo rico de fotografias e de seu próprio depoimento oral e escrito, ele registrou um período crucial da formação do bairro.
Suas fotos mostram as ruas ainda de terra, a chegada da infraestrutura, os primeiros comércios e a luta dos moradores por melhorias. Esse material serve hoje como documento histórico para que as novas gerações entendam como o maior bairro da América Latina se formou.
A ligação com o local era tão profunda e pessoal que transcendeu a barreira do endereço residencial. Renato era um apaixonado pelo potencial daquela terra e de sua gente.
Trajetória: O sonho da casa própria
A história de Renato é o espelho da história de milhares de brasileiros que ajudaram a construir Hortolândia. Natural de Presidente Juscelino, no estado de Minas Gerais, ele trouxe na bagagem a esperança e a força de trabalho.
Renato chegou à região de Campinas em 1979. No entanto, foi em 1985 que ele tomou a decisão que mudaria seu destino: fixar residência no loteamento do Jardim Amanda.
Sua motivação, como a de tantos outros pioneiros daquela década, era o sonho dourado da casa própria. Ele queria deixar para trás a vida de aluguel e ter um pedaço de chão para chamar de seu. E conseguiu. Viu o bairro crescer ao redor de sua casa e cresceu junto com ele.
Homenagem no nome da filha
A vida familiar de Renato era seu alicerce. Ele era casado com Marlene Figueiredo, companheira de todas as horas, com quem dividiu as dificuldades do início e as vitórias da maturidade.
Renato deixa três filhas: Carla, Jaqueline e Amanda. O nome da filha caçula não foi uma escolha aleatória; foi uma homenagem deliberada e carinhosa ao bairro que acolheu a família. Batizar a filha de Amanda foi a forma que Renato encontrou de eternizar sua gratidão e seu amor pelo solo onde construiu parte essencial de sua história.
Hoje, enquanto a cidade se despede, fica o reconhecimento. Quando se diz que morre Renato Figueiredo, não se fala apenas do fim de uma vida, mas da celebração de um legado de trabalho, liderança e amor por Hortolândia.
A ACIAH e outras entidades de classe devem emitir notas oficiais de pesar nas próximas horas. Informações sobre velório e sepultamento serão divulgadas pela família em momento oportuno.

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