
Espécie ornamental é hospedeira do inseto que transmite o greening, doença que atinge laranjeiras, limoeiros e outras plantas cítricas; cultivo e comercialização são proibidos em São Paulo
A murta em Hortolândia é alvo de uma nova campanha de conscientização iniciada neste mês pela Prefeitura. A ação busca orientar moradores a não plantar, cultivar, comercializar ou utilizar ornamentalmente a espécie Murraya paniculata, conhecida também como murta-de-cheiro ou jasmim-laranja.
A medida está relacionada ao combate ao Huanglongbing (HLB), conhecido como greening, uma das principais doenças que afetam a citricultura.
A murta é hospedeira do psilídeo Diaphorina citri, inseto responsável pela transmissão das bactérias causadoras da doença entre plantas.
Por esse motivo, o Estado de São Paulo passou a adotar regras mais rígidas sobre a espécie e, desde 2025, proíbe sua produção, comercialização, transporte e utilização ornamental em áreas públicas e privadas.
Murta em Hortolândia pode favorecer disseminação do greening
Apesar de ser utilizada tradicionalmente como planta ornamental e cerca viva, a murta passou a representar preocupação para a defesa sanitária vegetal.
Isso acontece porque ela é uma excelente hospedeira do psilídeo dos citros.
O inseto pode adquirir as bactérias causadoras do greening ao se alimentar de uma planta contaminada e posteriormente transmiti-las para outras plantas.
Laranjeiras, limoeiros, tangerineiras e outras espécies cítricas podem ser afetadas.
A presença de murtas em jardins, chácaras e áreas urbanas pode, portanto, contribuir para a manutenção e multiplicação do inseto vetor mesmo fora dos pomares comerciais.
Esse é um dos motivos para a campanha iniciada pelo Departamento do Verde e Desenvolvimento Sustentável de Hortolândia.
Greening não tem cura
O Huanglongbing é considerado uma das doenças mais graves da citricultura.
Uma vez infectada, a planta cítrica não possui tratamento capaz de eliminar a bactéria e recuperar completamente a árvore.
O manejo envolve principalmente prevenção, controle do inseto vetor e eliminação das plantas contaminadas de acordo com as regras fitossanitárias.
Entre os efeitos do greening estão queda prematura dos frutos, redução da produtividade e alteração da qualidade.
Os frutos de plantas doentes podem ficar menores, deformados, mais ácidos e amargos.
A doença representa impacto especialmente relevante para o Estado de São Paulo, que possui uma das principais cadeias produtoras de laranja e outros citros do país.
Plantio e comércio da murta são proibidos em São Paulo
As regras foram ampliadas em maio de 2025 com a publicação da Resolução SAA nº 24.
A norma determina, em todo o território paulista, a proibição da produção de material de propagação da murta, do plantio para fornecimento de hastes, do comércio e do transporte da espécie.
A utilização da planta em arborização urbana ou com finalidade ornamental também foi proibida, tanto em áreas públicas quanto privadas.
A resolução prevê ainda que as plantas de murta já estabelecidas devem ser eliminadas.
A principal exceção envolve exemplares utilizados para pesquisa científica, desde que cadastrados junto à Defesa Agropecuária e mantidos sob medidas específicas de segurança fitossanitária.
Prefeitura orienta moradores a não manter a espécie
Com a campanha, a Prefeitura pretende ampliar o conhecimento da população sobre essas regras.
A murta pode ainda estar presente em quintais, jardins, chácaras, calçadas e cercas vivas, principalmente porque durante muitos anos foi utilizada no paisagismo.
A espécie pode ser reconhecida por características como folhas verde-escuras, pequenas flores brancas e frutos avermelhados.
O fato de uma planta aparentemente estar saudável não elimina a preocupação fitossanitária.
A legislação estadual determina a eliminação da murta já estabelecida independentemente da existência de sintomas visíveis de greening.
Por isso, o objetivo da campanha municipal é evitar novos plantios e reduzir a permanência da espécie no ambiente urbano.
Murta funciona como hospedeira do inseto vetor
A importância da eliminação da espécie está diretamente relacionada ao ciclo de transmissão da doença.
O greening não é espalhado pelo vento, água ou simples contato entre plantas.
Sua principal forma de disseminação ocorre pela ação do psilídeo.
O inseto se alimenta das plantas, pode adquirir a bactéria em exemplares infectados e posteriormente levá-la para árvores sadias.
A murta oferece condições favoráveis para alimentação e reprodução desse inseto.
Isso significa que uma planta ornamental localizada fora de uma propriedade rural pode contribuir indiretamente para a manutenção da população do vetor.
Medidas contra o greening foram reforçadas em 2026
As ações de controle da doença continuaram sendo atualizadas no Estado neste ano.
Novas regras publicadas em 2026 estabeleceram critérios complementares para produtores de citros, incluindo cadastramento de propriedades, vistorias periódicas e monitoramento do psilídeo.
Os municípios paulistas também passaram a ser classificados conforme os níveis de incidência da doença para orientar medidas fitossanitárias.
O combate envolve produtores rurais, órgãos públicos e também a população das áreas urbanas, especialmente em relação às plantas hospedeiras existentes em quintais e espaços ornamentais.
Doença preocupa a citricultura paulista
Dados divulgados pela Defesa Agropecuária apontam que o greening continua com elevada incidência no cinturão citrícola paulista.
O levantamento referente a 2025 indicou incidência de 47,63%, ante 44,35% no ano anterior.
Apesar da desaceleração no ritmo de crescimento observada pelo segundo ano consecutivo, a doença continua sendo tratada como um dos principais desafios sanitários do setor.
A prevenção fora das propriedades comerciais também integra as estratégias adotadas para tentar reduzir a circulação do vetor.
É nesse contexto que ocorre a retirada da murta de áreas urbanas.
Moradores devem evitar compra e transporte da planta
A campanha de Hortolândia reforça principalmente a necessidade de interromper novas formas de propagação da espécie.
Isso significa que moradores não devem comprar mudas de murta, fazer novos plantios, utilizar a espécie em projetos de paisagismo ou transportar plantas e mudas.
A proibição não é exclusivamente municipal.
Ela vale para todo o Estado de São Paulo e está prevista na regulamentação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
O descumprimento das normas fitossanitárias pode resultar nas penalidades estabelecidas pela legislação estadual.
Arborização pode utilizar outras espécies
A eliminação da murta não significa reduzir a arborização urbana.
A espécie pode ser substituída por árvores e arbustos adequados ao espaço disponível e que não representem o mesmo risco para a citricultura.
Hortolândia mantém ações de arborização em diferentes regiões e já ultrapassou a meta inicialmente estabelecida para plantio de árvores em 2026.
Neste mês, por exemplo, o Jardim Mirante recebeu uma nova microfloresta com 300 mudas de espécies nativas.
A escolha adequada das espécies é um dos fatores importantes no planejamento das áreas verdes urbanas, evitando plantas invasoras, inadequadas ao espaço ou que funcionem como hospedeiras de pragas de importância econômica.
Campanha busca evitar novos plantios
A ação iniciada pela Prefeitura pretende fazer com que a informação chegue principalmente aos moradores que ainda mantêm ou pensam em plantar a espécie.
A murta em Hortolândia, apesar de conhecida pelo uso ornamental, está incluída em uma estratégia estadual de combate ao greening.
Com a legislação em vigor, a orientação é não produzir, comprar, vender, transportar ou utilizar a planta no paisagismo.
A redução da presença da espécie ajuda a diminuir ambientes favoráveis à manutenção do psilídeo e integra as medidas adotadas para proteger plantas cítricas e a cadeia produtiva de laranjas, limões, tangerinas e outros frutos no Estado.
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