EUA flexibilizam sanções ao petróleo da Venezuela com restrições. Foto: Agência Brasil.
EUA flexibilizam sanções ao petróleo da Venezuela com restrições. Foto: Agência Brasil.

O tabuleiro da geopolítica energética sofreu uma nova movimentação estratégica nesta semana. O governo norte-americano anunciou uma medida que pode alterar o fluxo global de óleo e gás: os EUA flexibilizam sanções ao petróleo da Venezuela, país detentor das maiores reservas comprovadas do planeta.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma nova licença oficial que diminui as restrições históricas à exploração e comercialização de hidrocarbonetos venezuelanos. No entanto, a “mão que afaga” é a mesma que desenha novas fronteiras: a abertura vem acompanhada de uma condição restritiva e polêmica.

Empresas e indivíduos ligados à China, Rússia, Coreia do Norte, Cuba e Irã estão explicitamente proibidos de participar de qualquer negócio revitalizado com a indústria petroleira da Venezuela. A manobra é vista por analistas como uma tentativa de Washington de recuperar influência na América do Sul, ao mesmo tempo em que tenta asfixiar a presença de seus maiores rivais geopolíticos na região.

A Licença do OFAC e suas condições

Essa medida representa a flexibilização mais significativa do embargo econômico imposto à Venezuela nos últimos anos. As sanções anteriores geraram graves impactos na economia local e isolaram Caracas do sistema financeiro ocidental.

O objetivo declarado agora é pragmático: permitir que a PDVSA (petrolífera estatal venezuelana) e o setor privado local recebam investimentos cruciais para reativar suas operações, que sofreram com a falta de manutenção e capital. Contudo, tudo isso ocorrerá sob um escrutínio rigoroso do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC).

A decisão surge em um contexto de 2026 onde a reestruturação econômica na Venezuela é debatida globalmente. O governo de Nicolás Maduro tem buscado atrair capital estrangeiro e proposto leis de anistia para investidores, tentando reinserir o país no mercado global de energia.

O que pode e o que não pode?

O documento detalhado pelo OFAC funciona como um manual de operações para esta nova fase. A licença autoriza uma série de transações essenciais para tirar a indústria da inércia.

Transações Autorizadas:

  • Logística: Serviços de transporte, fretamento de embarcações e uso de terminais portuários;

  • Financeiro: Pagamentos diretos e obtenção de seguros marítimos internacionais (vitais para exportação);

  • Manutenção: Reforma e reparo de equipamentos usados em atividades de exploração, desenvolvimento ou produção de petróleo e gás.

A Linha Vermelha (Proibições): O documento é categórico ao criar uma lista negra. Fica proibida qualquer transação com pessoas ou empresas que tenham ligação com:

  • Federação Russa;

  • República Popular da China;

  • Irã;

  • Coreia do Norte;

  • Cuba.

A proibição se estende a qualquer entidade que seja detida ou controlada, direta ou indiretamente, por esses países ou que atue em joint venture com eles. Na prática, isso obriga a Venezuela a escolher seus parceiros: se quiser acessar o mercado e o sistema bancário controlado pelos EUA, terá que se afastar de seus aliados orientais tradicionais.

Reação Internacional: Moscou fala em “Discriminação”

Como era esperado, a reação do bloco excluído foi imediata e dura. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, manifestou forte desaprovação à medida.

Lavrov classificou as novas restrições como uma “discriminação flagrante” e uma tentativa de ditar as regras do comércio soberano de terceiros. O chanceler lembrou que Rússia, China e Irã foram os países que historicamente mantiveram investimentos no setor de energia da Venezuela quando o Ocidente se retirou.

Moscou anunciou que planeja pedir esclarecimentos formais aos Estados Unidos sobre as motivações jurídicas por trás dessas exclusões, sinalizando que a disputa pode parar nos tribunais internacionais de comércio.

Perspectivas: Recuperação até meados de 2026

Para o mercado, o que importa é o barril de petróleo. Apesar da incerteza política, os dados são animadores. O Serviço de Informações de Energia dos EUA (EIA) já observa uma recuperação tímida, mas constante, das exportações de petróleo bruto venezuelano desde janeiro deste ano.

Grande parte desse volume tem sido direcionada a terminais de armazenamento no Caribe, aguardando despacho para refinarias americanas e europeias.

A agência estatal norte-americana projeta um cenário otimista: com a ampliação das licenças e a entrada de capital ocidental (como da Chevron e empresas europeias), a produção venezuelana pode ser restaurada aos níveis pré-bloqueio até meados de 2026.

Se confirmado, isso significaria uma injeção de milhões de barris diários no mercado, ajudando a estabilizar os preços globais de energia e oferecendo um alívio econômico vital para a população venezuelana.

Resta saber se Caracas aceitará trocar seus parceiros estratégicos do Oriente pela promessa de prosperidade oferecida pelo Norte.

Fonte: Agência Brasil.

EUA flexibilizam sanções ao petróleo da Venezuela com restrições. Foto: Agência Brasil.
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