
O pesadelo de qualquer motorista é abastecer o veículo para ir trabalhar e, metros depois, ver o motor engasgar e parar de funcionar. Esse foi o estopim de uma grande operação policial deflagrada nesta terça-feira (24), que resultou na detenção do gerente de um posto de abastecimento suspeito de comercializar combustível adulterado em Hortolândia.
O estabelecimento alvo da batida policial e da rigorosa fiscalização está localizado na Rua Nossa Senhora do Carmo, uma via de grande circulação no bairro Jardim Minda. A ação conjunta reuniu investigadores da Polícia Civil e fiscais especializados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), e comprovou as suspeitas de fraude nas bombas.
A prova do crime: Etanol batizado com água
Durante a blitz no posto do Jardim Minda, as equipes da ANP realizaram testes químicos minuciosos no local, utilizando provetas e densímetros em amostras coletadas diretamente das bombas que atendem o consumidor final.
Enquanto os testes realizados no diesel e na gasolina não indicaram irregularidades num primeiro momento, a análise do etanol (álcool) revelou uma fraude grosseira e extremamente lesiva ao motor do veículo. O produto estava batizado com excesso de água, muito acima do limite tolerado pela legislação brasileira.
O agente de fiscalização da ANP, Jorge Daroz, que coordenou as análises no local, explicou a fraude em números:
“No etanol, o teor alcoólico que, no mínimo, devia ser de 92,5% está batendo em 88,8%. Ou seja, é um teor muito abaixo do mínimo estabelecido por lei. Então há um excesso claro de água nesse combustível que está sendo vendido ao consumidor.”
Após a confirmação técnica da fraude, a agência reguladora agiu com rigor e determinou a interdição imediata de todas as bombas de etanol do estabelecimento. Além disso, o tanque subterrâneo que armazenava cerca de 21.800 litros do combustível adulterado foi totalmente lacrado, impedindo a continuidade do crime.
As amostras oficiais recolhidas pela agência serão agora encaminhadas para a Central Analítica da Unicamp, em Campinas, onde passarão por exames laboratoriais mais complexos para verificar a possível presença de outras substâncias químicas irregulares (como solventes) na mistura.
Como a investigação começou? O poder da denúncia
O mais impressionante neste caso de combustível adulterado em Hortolândia é como a investigação policial teve início. O esquema não foi descoberto por sorte, mas sim pela proatividade e indignação de um cliente lesado.
De acordo com o delegado responsável pelo inquérito, a apuração começou há algumas semanas. Um motorista compareceu à delegacia relatando um prejuízo enorme: ele abasteceu seu veículo com etanol neste exato posto do Jardim Minda e, logo após encher o tanque e tentar sair com o carro, o motor simplesmente parou de funcionar e não ligou mais.
O veículo precisou ser removido por um caminhão-guincho direto para a oficina mecânica. Inconformado com o prejuízo da manutenção, o próprio cliente coletou uma amostra do combustível que estava no tanque do seu carro e a encaminhou para análise preliminar na ANP, o que deu o respaldo técnico para o início da investigação da Polícia Civil.
Gerente detido e o alerta aos motoristas
Com o flagrante do crime contra as relações de consumo e contra a economia popular constatado nesta terça-feira, o gerente do estabelecimento recebeu voz de prisão e foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. O posto permanece sob estrita fiscalização das autoridades.
Este caso serve como um alerta máximo para todos os condutores da região. Para se proteger de fraudes nas bombas, o Conexão Hortolândia reforça três dicas vitais de segurança:
- Exija sempre a Nota Fiscal: Ela é a sua única garantia e o documento oficial para provar onde o abastecimento foi feito caso o motor do seu carro apresente falhas.
- Peça o Teste de Qualidade: É um direito do consumidor exigir que o frentista realize o teste da proveta na sua frente antes de abastecer, comprovando a pureza do combustível.
- Desconfie de preços milagrosos: Promoções muito abaixo da média do mercado costumam esconder gasolina formulada com solventes ou etanol batizado com água.
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