Um policial militar que atuava na região de Hortolândia está entre os presos na Operação Paládio, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra um grupo investigado por fraudes milionárias com falsos investimentos e lavagem de dinheiro.

A operação foi realizada nesta terça-feira (22) e teve prisões em Hortolândia, Campinas e Paulínia, além do cumprimento de ordens judiciais em outros estados.

Na região de Campinas, seis pessoas foram presas. Outro investigado foi localizado no Mato Grosso, enquanto um dos alvos dos mandados de prisão permanecia foragido até a última atualização.

Operação Paládio teve prisões em Hortolândia

Entre os investigados presos está um policial militar, além da esposa e da filha dele.

Segundo informações divulgadas sobre a operação, o PM atuava profissionalmente na região de Hortolândia.

As prisões são preventivas e foram determinadas pela Justiça durante o andamento das investigações. Até o momento, não há condenação dos envolvidos pelos fatos apurados na Operação Paládio.

Ao todo, foram expedidos oito mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão.

Grupo é investigado por falsos investimentos

Segundo o Ministério Público de São Paulo, a investigação apura a atuação de uma estrutura empresarial utilizada para atrair pessoas interessadas em investimentos.

Os clientes recebiam ofertas apresentadas como aplicações seguras e de alta rentabilidade, supostamente relacionadas a negócios dos setores imobiliário e do agronegócio.

De acordo com o Gaeco, porém, os recursos captados não teriam sido destinados aos investimentos anunciados.

A investigação aponta que o dinheiro teria sido apropriado pelo grupo, provocando prejuízos aos investidores.

Aplicativos simulavam plataformas financeiras, diz investigação

O esquema também teria utilizado aplicativos que simulavam plataformas de instituições financeiras.

Nesses sistemas, os investidores conseguiam visualizar supostos saldos e rendimentos das aplicações.

Segundo a apuração, entretanto, os valores exibidos não correspondiam necessariamente a investimentos financeiros reais.

O objetivo, conforme a investigação, seria manter as vítimas acreditando que o dinheiro permanecia aplicado e gerando rendimentos.

Escritório funcionava em área nobre de Campinas

Uma das estruturas utilizadas para captar clientes funcionava em um edifício empresarial no Cambuí, em Campinas.

Segundo o Ministério Público, o escritório possuía estrutura tecnológica e logística que ajudava a transmitir aos investidores uma imagem de credibilidade.

Os investigados também utilizavam redes sociais e participações em programas de televisão para divulgar os negócios.

Reportagens que acompanham a investigação apontam que pelo menos 20 vítimas já foram identificadas e que os prejuízos podem chegar a valores milionários.

Gaeco também investiga lavagem de dinheiro

Além das suspeitas envolvendo os investidores, o Gaeco apura possível lavagem de dinheiro.

Segundo o Ministério Público, há indícios de que empresas ligadas aos investigados tenham sido utilizadas para movimentar e ocultar recursos provenientes de outras atividades criminosas.

A investigação apura inclusive eventual circulação de valores relacionados ao tráfico de drogas atribuído a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Essa possível ligação ainda é objeto de investigação e não representa conclusão definitiva sobre a responsabilidade individual dos presos.

Sete veículos foram apreendidos

Durante a operação, as equipes também apreenderam sete veículos e houve bloqueio de valores ligados aos investigados.

As diligências foram realizadas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Piauí.

Além de Hortolândia, Campinas e Paulínia, houve cumprimento de ordens judiciais na capital paulista, Monte Sião (MG), Cuiabá e Sinop (MT) e Teresina (PI).

A operação contou com apoio da Polícia Militar, incluindo o 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) e a Corregedoria da corporação.

Investigação continua

As apurações seguem para identificar a participação de cada investigado, rastrear a movimentação financeira e dimensionar os prejuízos provocados às vítimas.

As prisões preventivas não significam condenação, e os envolvidos poderão apresentar defesa durante o andamento do processo.

Até a última atualização consultada, as defesas de todos os investigados não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações.

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