A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou, na manhã desta segunda-feira (13), uma operação interestadual com o objetivo de desarticular um grupo suspeito de promover ataques cibernéticos e ameaças continuadas. Os alvos da operação são investigados por direcionar mensagens de ódio aos familiares da adolescente Nicolly Fernanda Pogere, de 15 anos, vítima de um caso de feminicídio em Hortolândia ocorrido no mês de julho de 2025.

A ação foi coordenada pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), departamento subordinado à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), responsável pelo rastreamento de IPs e monitoramento de crimes no ambiente virtual.

A operação interestadual e as ameaças virtuais

De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Civil, os ataques direcionados a dois familiares diretos da vítima tiveram início cerca de um mês após a repercussão do homicídio.

O relatório técnico do Noad aponta que os parentes passaram a receber um volume crescente de ameaças, ofensas e mensagens de deboche através de perfis em redes sociais, e-mails e outras plataformas de comunicação digital. Com o passar dos meses, as ameaças virtuais tornaram-se mais frequentes e com teor mais grave, motivando a expedição dos mandados judiciais após representação da Delegacia Seccional de Casa Branca (SP).

A operação de busca e apreensão identificou cinco alvos principais, sendo um adulto e quatro menores de idade. Para o cumprimento dos mandados, a SSP-SP contou com o apoio logístico e operacional das polícias civis de Minas Gerais e do Pará.

As diligências ocorreram simultaneamente nos seguintes municípios:

  • São Paulo: Presidente Prudente.
  • Minas Gerais: Belo Horizonte, Bicas, Ibirité e Juiz de Fora.
  • Pará: Ananindeua.

O objetivo central da operação é a apreensão de dispositivos eletrônicos (como smartphones, computadores, tablets e mídias de armazenamento) que serão submetidos à perícia técnica. A extração de dados visa confirmar a autoria das mensagens, mapear a conexão entre os suspeitos e embasar formalmente o inquérito.

Prisão em flagrante durante as buscas em MG

Durante o cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão no estado de Minas Gerais, a ocorrência tomou um novo desdobramento legal.

Ao acessarem preliminarmente os dispositivos eletrônicos de um dos suspeitos (o indivíduo maior de idade), os investigadores localizaram arquivos classificados como material de abuso sexual infantil (pedofilia). Diante da materialidade do crime, o homem recebeu voz de prisão em flagrante e foi conduzido ao sistema penitenciário mineiro, onde responderá tanto pelo armazenamento de conteúdo ilícito quanto pelo inquérito de ameaça e crimes contra a honra.

Retrospectiva: O crime no Jardim Amanda

O inquérito de crimes cibernéticos atual é um desdobramento do feminicídio em Hortolândia registrado no ano passado. Em julho de 2025, o corpo de Nicolly Fernanda Pogere foi localizado às margens da lagoa do bairro Jardim Amanda I, apresentando ferimentos por arma branca e esquartejamento.

A investigação conduzida pela delegacia de homicídios da época identificou a autoria do crime, apontando para dois adolescentes: um jovem de 17 anos (então namorado da vítima) e uma adolescente de 14 anos.

Ambos os menores infratores fugiram após o crime, mas foram localizados e apreendidos no dia 20 de julho de 2025, na residência de familiares no estado do Paraná.

Durante os depoimentos formais, os adolescentes confessaram a autoria do homicídio, alegando legítima defesa após um suposto ataque da vítima. No entanto, o inquérito policial concluiu que Nicolly foi atraída para uma emboscada na residência do namorado. A Justiça decretou a internação provisória de ambos os adolescentes em unidades da Fundação CASA, onde permanecem à disposição da Vara da Infância e da Juventude.

A Polícia Civil prosseguirá com a análise dos aparelhos apreendidos nesta segunda-feira (13) para a conclusão do inquérito relacionado aos ataques virtuais.

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