“Me tornei mais humana”, diz Sandra Martins após salvar a vida de Rafael Paulino, em Nova Jersey

A biomédica Sandra Martins, moradora de Campinas (SP), tomou uma decisão rara e emocionante: viajou aos Estados Unidos para doar um rim a Rafael Paulino, amigo que conheceu em 2019 pela internet.

O americano aguardava há três anos por um transplante após ser diagnosticado com Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF), doença que compromete os rins e pode levar à falência renal.

Amizade que salvou uma vida

O contato entre Sandra e Rafael começou em um aplicativo de conversação para estrangeiros. Ela buscava melhorar o inglês, enquanto ele aprendia português. O que começou como simples troca de mensagens evoluiu para uma amizade sólida.

“Eu me coloquei no lugar do Rafael. Se fosse alguém da minha família, se fosse um filho meu, eu gostaria que alguém fizesse isso por mim”, afirmou a biomédica.

Do Brasil ao transplante nos EUA

Em janeiro de 2025, Sandra viajou aos Estados Unidos para realizar os exames de compatibilidade. Em fevereiro, já de volta ao Brasil, recebeu a notícia de que era compatível.

“Chorei de alegria”, relembra.

Ela retornou em maio de 2025 e permaneceu 45 dias em Nova Jersey para a cirurgia, custeada pelo plano de saúde de Rafael. Durante esse período, Sandra foi acolhida pela família do amigo.

“Eles me têm como filha. Ganhei uma nova família nos Estados Unidos”, contou.

Legislação permite diferença entre países

No Brasil, a legislação só autoriza doações de órgãos para estrangeiros não residentes em casos de parentesco consanguíneo ou vínculo conjugal. Já nos Estados Unidos, qualquer pessoa com mais de 16 anos pode doar para amigos ou até desconhecidos, o que viabilizou o transplante.

Biomédica de Campinas (SP) foi para Nova Jersey, nos Estados Unidos, para doar rim a amigo virtual. — Foto: Arquivo pessoal

Um novo propósito de vida

Após a recuperação, Sandra voltou ao Brasil transformada pela experiência. Além de acompanhar a saúde do amigo, ela escreve um livro para compartilhar sua história e incentivar a doação de órgãos.

“Doar um órgão não é perder uma vida, é ganhar outra. Eu me tornei mais humana e passei essa lição para meus filhos: doar tempo, atenção ou um gesto que beneficie outra pessoa faz bem para quem recebe e para quem doa.”

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