Operação Coffee Break investiga fraudes na Educação

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (12) a Operação Coffee Break, que apura um suposto esquema de superfaturamento na compra de materiais educacionais envolvendo prefeituras do Estado de São Paulo, Paraná e Distrito Federal. A ação, realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), busca esclarecer como funcionava a estrutura financeira e operacional do grupo.

Além disso, os agentes cumpriram 50 mandados de busca e apreensão, além de seis ordens de prisão preventiva contra suspeitos apontados como coordenadores das fraudes.

👥 Principais investigados

Entre os alvos da operação estão:

  • André Gonçalves Mariano, sócio-administrador da Life Tecnologia Educacional
  • Carlos Augusto César (PSB), vice-prefeito de Hortolândia
  • Fernando Gomes de Moraes, secretário de Educação de Hortolândia
  • Abdalla Ahmad Fares, empresário
  • Eduardo Maculan, apontado como doleiro
  • José Aparecido Ribeiro Marin, secretário de Educação de Sumaré (mandado ainda não cumprido)

Assim, a PF concentra esforços em identificar como cada um atuava dentro do suposto esquema.

💸 Como o esquema teria funcionado

Documentos obtidos pelo Grupo EP mostram, de maneira detalhada, como a Life Tecnologia Educacional teria estruturado um sistema de superfaturamento na venda de livros didáticos e kits de robótica para prefeituras de várias cidades.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a fraude funcionava da seguinte forma:

  • A empresa comprava livros por valores entre R$ 1 e R$ 5
  • E revendia aos municípios por R$ 60 a R$ 80

Ou seja, o valor final chegava a ser até 80 vezes maior do que o preço de aquisição.

Além disso, relatórios financeiros identificaram movimentações bancárias consideradas atípicas, o que reforçou as suspeitas. Conforme o MPF, apenas 17% dos valores pagos eram destinados aos reais fornecedores dos produtos.

📊 Valores movimentados pelas cidades

As notas fiscais analisadas mostram que o faturamento da Life cresceu de maneira acelerada. Veja os principais valores:

  • Sumaré: mais de R$ 51,9 milhões (2021 a 2023), parte via FUNDEB
  • Hortolândia: mais de R$ 17,9 milhões
  • Limeira: mais de R$ 10,7 milhões

Além disso, as autoridades afirmam que as operações suspeitas continuaram ocorrendo ao longo de 2024.

🏦 Empresas de fachada e lavagem de dinheiro

Outro ponto mencionado pelo MPF é o uso de empresas de fachada controladas por doleiros. Dessa forma, o grupo supostamente conseguia ocultar a origem e o destino dos recursos.

Um dos exemplos é a empresa identificada como “Les Barons”, que se apresentava como uma loja de vinhos, mas que, na prática, funcionaria como um banco clandestino para o repasse de valores.

Segundo os relatórios, a Life teria movimentado mais de R$ 128 milhões em 305 transações, entre janeiro de 2021 e julho de 2024. Quase todo esse montante tem origem em recursos públicos.

🎯 Objetivos do principal investigado

De acordo com o MPF, André Gonçalves Mariano utilizava os valores recebidos para três finalidades principais:

  1. Compra de carros de luxo, imóveis e blindagens
  2. Retroalimentação do próprio esquema, adquirindo novos materiais para repetir o processo de superfaturamento
  3. Envio de recursos a doleiros, usando empresas de fachada

Assim, o grupo conseguia manter o funcionamento contínuo da fraude.

📣 O que dizem os citados

Life Tecnologia Educacional
A empresa afirmou, em nota, que não irá comentar as investigações.

Defesa de Abdalla Ahmad Fares
A defesa declarou que ainda não teve acesso aos autos e afirmou que o empresário trabalha apenas nos setores supermercadista e de construção civil, negando qualquer relação com contratos da educação.

Prefeitura de Sumaré
Informou que está colaborando com as investigações e reforçou que os fatos se referem à gestão anterior.

Defesa do vice-prefeito Cafu César (PSB)
Disse que ainda analisa o processo e deverá solicitar a revogação da prisão preventiva.

Prefeitura de Hortolândia
A administração declarou estar à disposição dos órgãos de investigação. No entanto, até o fechamento desta reportagem, as defesas de Eduardo Maculan e José Aparecido Ribeiro Marin não foram localizadas.

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O Conexão Hortolândia é um veículo de comunicação jornalística independente, dedicado a cobrir os principais fatos e acontecimentos de Hortolândia e da Região Metropolitana de Campinas (RMC).