Justiça manda grevistas dos Correios desocuparem centro em Indaiatuba

A Justiça do Trabalho determinou nesta quarta-feira (16) a desocupação imediata do Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas dos Correios em Indaiatuba, onde grevistas dos Correios desocuparem centro de cargas e bloquearam a circulação de mercadorias. A mobilização interrompeu entregas programadas para várias cidades da região metropolitana.

A decisão liminar foi assinada pela juíza Alzeni Aparecida de Oliveira Furlan. O texto autoriza o uso de força policial, caso seja necessário, para garantir a liberação completa da unidade postal. Os manifestantes também foram orientados a manter o livre trânsito de pessoas e veículos nos prédios e pátios, além de preservar uma distância mínima de 10 metros dos portões de acesso.

Caso o mandado não seja cumprido integralmente, a determinação judicial fixa multa diária de R$ 20 mil aplicada ao Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de Campinas e região (Sintect-Cas) e à Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Fentect).

Impacto na logística e risco de represamento de cargas

Em sua fundamentação, a magistrada ressaltou a relevância estratégica da unidade para a operação postal no interior paulista. Segundo Alzeni, a paralisação forçada do CTCE Indaiatuba, responsável por expressiva fatia da triagem logística regional, gera o represamento iminente de mercadorias perecíveis, fármacos e correspondências de relevância pública.

Os funcionários iniciaram a ocupação do centro logístico durante a madrugada da própria quarta-feira (16). De acordo com a assessoria do Sintect-SP, a greve geral da categoria começou oficialmente na última quinta-feira (10), às 22h, após assembleias sindicais rejeitarem a proposta oficial para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.

Ainda segundo o sindicato, a ocupação teve o objetivo de pressionar a direção estatal a reabrir as negociações. Embora não haja um balanço numérico exato de funcionários paralisados, a avaliação sindical aponta que a adesão corresponde à grande maioria dos trabalhadores lotados na região de Indaiatuba.

Motivações da grevistas dos Correios desocuparem centro e contestações

Entre as principais insatisfações da categoria está o teor da proposta apresentada pela direção dos Correios. O Sintect-SP aponta que o reajuste salarial oferecido ficou 0,20% abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), o que, na visão da entidade, impede a devida reposição da inflação acumulada no período.

Outro ponto de forte atrito envolve alterações nas regras do plano de saúde corporativo. A assessoria sindical relata que os funcionários passaram a arcar com mensalidades e que os novos custos teriam levado mais de 30 mil empregados a deixarem o convênio por falta de condições financeiras para arcar com os valores.

Em nota oficial divulgada após a ordem judicial para que os grevistas dos Correios desocuparem centro e encerrarem o bloqueio, o Sintect-Cas informou que aguardava a notificação oficial. A entidade criticou a postura da estatal, afirmando que a empresa prefere recorrer à Justiça em vez de buscar o diálogo para superar o impasse, reiterando que a base continuará mobilizada.

Medidas dos Correios e decisão do Tribunal Superior do Trabalho

Em resposta à paralisação nacional, os Correios informaram que acionaram o Plano de Continuidade de Negócios para tentar mitigar os reflexos operacionais. As estratégias adotadas englobam o remanejamento de veículos, a realização de mutirões de entrega e a convocação de equipes administrativas para reforçar o atendimento nas unidades.

A estatal destacou que a rede de agências físicas permanece aberta ao público. Paralelamente, após o fracasso das negociações mediadas, a empresa ajuizou um pedido de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST) em 11 de setembro.

No dia 12 de setembro, o TST emitiu uma liminar determinando a manutenção de pelo menos 80% do efetivo em atividade em cada estabelecimento dos Correios, abrangendo setores de atendimento, tratamento, transporte e distribuição. O julgamento definitivo do dissídio coletivo pelo tribunal foi agendado para o dia 21 de setembro, às 13h30, período em que as partes ainda podem costurar um acordo.

Por fim, os Correios pontuaram que respeitam o direito constitucional de greve, mas ponderaram que a paralisação ocorre em um momento de profundos desafios econômico-financeiros. A estatal reforçou que suas metas prioritárias no momento incluem a redução de despesas, o aumento da eficiência operacional, a modernização dos processos logísticos e a geração de novas receitas.

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