
A Defesa Civil de Campinas decidiu, durante audiência pública realizada nesta segunda-feira (5), antecipar o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil da operação chuvas de verão e o enfretamento aos efeitos do El Niño para os anos de 2026 e 2027. A iniciativa na região ocorre após análises de eventos climáticos extremos previstos com a chegada do fenômeno climático.
Tradicionalmente iniciada em dezembro, a mobilização neste ano terá início entre outubro e novembro. A data exata para o lançamento oficial será definida após uma nova reunião com a Defesa Civil estadual. O decreto com as diretrizes deve ser publicado nos próximos dias.
Efeitos do El Niño e ações da operação chuvas de verão
O coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, detalhou as ações que serão implementadas. Entre as medidas estão o monitoramento regionalizado por meio de radar meteorológico e estações meteorológicas, que auxiliam na tomada de decisão sobre o fechamento preventivo de parques municipais e áreas de lazer em escolas.
Também está prevista a integração com o Centro de Controle de Operações da Emdec para acompanhar em tempo real as condições das vias públicas. O planejamento conjunto com outros setores da Prefeitura visa adotar medidas mais ágeis para minimizar os impactos das altas temperaturas na saúde da população durante o período crítico.
Durante a abertura da reunião, Ana Ávila, meteorologista do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, explicou que o El Niño será mais intenso este ano. O fenômeno aquece a água dos oceanos e altera o ambiente atmosférico em cadeia de forma intensa e persistente, provocando chuvas concentradas em curto espaço de tempo, elevação nas temperaturas e períodos prolongados de seca.
Balanço anterior e impactos de frente fria na região
A coordenadora de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil, Sueli Castiglieri, apresentou o balanço da edição anterior da operação chuvas de verão, realizada entre dezembro de 2025 e março de 2026, período que registrou 1.688 ocorrências. Os dados apontam registros de altas temperaturas com 38 estados de atenção, nove estados de alerta e um estado de alerta máximo, além de 33 dias de atenção para chuvas e 1.190 encaminhamentos para outros setores.
Paralelamente, a passagem de uma frente fria pelo estado de São Paulo mantém o tempo instável. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta amarelo válido para esta segunda-feira, das 0h às 23h59, prevendo chuvas intensas de até 30 milímetros por hora, ventos de até 60 km/h, risco de alagamentos, queda de galhos e interrupções no fornecimento de energia.
Além de Campinas, o aviso do Inmet abrange municípios vizinhos como Americana, Hortolândia, Indaiatuba e Sumaré. A MetSul Meteorologia e o Cepagri já haviam apontado a intensificação da instabilidade com possibilidade de temporais isolados, rajadas de vento e queda de granizo em diferentes pontos do território paulista.
Previsão do tempo e orientações de segurança
Para esta segunda-feira, o Climatempo indica temperaturas entre 18°C e 25°C em Campinas, com períodos de céu nublado, chuva e trovoadas. A instabilidade deve persistir na terça-feira (6), com nova previsão de chuva, trovoadas, acumulado estimado em 43,3 milímetros e termoscópios variando entre 19°C e 25°C.
Diante dos riscos associados à operação chuvas de verão e aos temporais atuais, a Defesa Civil orienta a população a evitar áreas abertas durante tempestades, manter distância de árvores e estruturas metálicas e não transitar por ruas alagadas ou com correnteza. Moradores podem comunicar ocorrências como queda de árvores, erosões e alagamentos pelo telefone 199.
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