Um aumento alarmante de roubos e furtos em farmácias tem assustado moradores e funcionários de Campinas. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) revelam um crescimento de 22,65% nas ocorrências entre janeiro e outubro deste ano, com 65 casos registrados, em comparação com os 53 do mesmo período em 2024.

Em uma análise regional, que abrange Campinas e Piracicaba, o aumento foi de 14,1%. Nos dez primeiros meses de 2025, foram contabilizados 541 casos de roubos e furtos em farmácias, ante 474 no ano anterior, durante o mesmo intervalo.

O Cambuí lidera o ranking dos bairros com maior incidência de crimes, com 9 ocorrências. O Centro e o Taquaral aparecem em seguida, ambos com 4 casos. Vila Itapura e Botafogo registraram 3 ocorrências cada.

Uma farmacêutica, que preferiu anonimato, compartilhou sua experiência, relatando ter sido confrontada com uma arma em duas ocasiões. A farmácia onde trabalha já foi alvo de quatro assaltos somente neste ano. “É sempre o mesmo modus operandi”, descreveu. “Eles entram, abordam quem está no balcão, mostram a arma e anunciam o assalto. Geralmente são dois: um nos leva para a geladeira e o outro sobe com o gerente para acessar o cofre.” A farmacêutica relatou que os criminosos usam sacos de lixo da própria farmácia para levar os produtos roubados e que, além de medicamentos, também subtraem objetos pessoais dos clientes presentes no momento do crime. Ela também lamentou a falta de investimento em segurança por parte da rede de farmácias.

De acordo com a farmacêutica, a insegurança é tamanha que os funcionários, no período noturno, trancam as portas e selecionam quem pode entrar, numa tentativa desesperada de se protegerem.

Especialistas apontam que medicamentos para emagrecer, como as canetas Ozempic e Mounjaro, além de antidepressivos, estão entre os itens mais visados pelos criminosos. Antonio Carlos Bellini Jr., advogado criminalista e especialista em segurança pública, destaca que o aumento dos roubos está relacionado a um mercado paralelo crescente, especialmente para as canetas emagrecedoras, que possuem alto valor agregado. Para ele, a solução passa pelo aumento do policiamento e pela implementação de estratégias de segurança privada.

Renata Gonçalves, presidente do Sindicato dos Funcionários de Farmácias-SP, também associa o aumento dos roubos à popularidade das canetas emagrecedoras e cobra mais segurança para os funcionários. Ela defende que os assaltos sejam reconhecidos como acidentes de trabalho e que as empresas ofereçam apoio aos funcionários.

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