Uma decisão judicial proferida nesta terça-feira (3) sacudiu os bastidores da política na Região Metropolitana de Campinas (RMC). De fato, um vereador de Sumaré condenado por crimes contra a administração pública tornou-se o assunto central na cidade. Welington da Farmácia (MDB), figura histórica da política local e ex-secretário de Planejamento, recebeu uma sentença de 8 anos e três meses de prisão em regime fechado.

A condenação refere-se ao crime de corrupção passiva. Welington, que é pai do atual vice-prefeito André da Farmácia (MDB), enfrentava denúncias graves sobre recebimento de vantagens indevidas.

A sentença foi proferida pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Sumaré. Além da pena privativa de liberdade, o magistrado foi rigoroso nas sanções financeiras e políticas, determinando inclusive a perda do mandato parlamentar conquistado nas últimas eleições.

Detalhes da Sentença e a “Mochila de Dinheiro”

A decisão judicial traz elementos que chamam a atenção pela gravidade. Embora o juiz tenha absolvido Welington da Farmácia de uma das denúncias de corrupção passiva (contra uma vítima específica), ele o condenou pelo mesmo crime cometido contra outra vítima.

Um dos pontos mais polêmicos do processo envolve a apreensão de valores em espécie. A sentença determinou a perda oficial de bens e valores apreendidos durante as investigações, uma vez que, segundo o texto da decisão, “sua origem lícita não foi demonstrada nos autos”.

Entre os valores confiscados, destaca-se a quantia de aproximadamente R$ 100 mil. O dinheiro foi encontrado pelas autoridades escondido de forma inusitada: dentro de uma mochila escolar. O confisco desses valores visa ressarcir o Estado e penalizar o enriquecimento ilícito.

Além da prisão e do confisco, o vereador de Sumaré condenado terá que pagar uma multa pesada. O juiz estipulou o pagamento de 170 dias-multa. O valor de cada dia-multa foi fixado em 3 salários-mínimos vigentes à época do fato, o que eleva a cifra a um montante significativo.

Impacto Político: Perda de Mandato

A decisão atinge em cheio a composição da Câmara Municipal. Welington da Farmácia não é um político novato; ele possui uma base eleitoral sólida.

Nas eleições de 2024, ele foi eleito vereador com expressivos 2.249 votos, tornando-se o sexto candidato mais votado de toda a cidade naquele pleito. A sentença determina expressamente a perda desse mandato.

Procurada pela reportagem para comentar a decisão e os trâmites para a substituição do parlamentar, a Câmara Municipal de Sumaré adotou cautela. O Legislativo informou que, até o presente momento, “não foi formalmente comunicada pelo Poder Judiciário acerca da referida decisão”.

Geralmente, após a notificação oficial, a Mesa Diretora deve se reunir para declarar a vacância do cargo e convocar o suplente do partido (MDB).

O que diz a Defesa?

O advogado Ralph Tórtima Filho, renomado criminalista que defende o vereador, manifestou-se sobre a sentença. A estratégia da defesa foca agora nas instâncias superiores, visto que a decisão é de primeira instância.

Tórtima Filho destacou pontos que considera positivos na sentença, afirmando que o juiz “andou bem ao absolvê-lo de uma das acusações”.

No entanto, em relação à condenação, o advogado foi incisivo. Ele argumenta que o processo possui falhas técnicas.

“No curso da ação penal foram evidenciadas inúmeras nulidades, que somadas a um contexto probatório de extrema fragilidade, justificariam a absolvição de Welington”, afirmou a defesa.

O advogado confirmou que o vereador não será preso imediatamente. “Sob esse aspecto, a defesa informa que irá recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP)”, concluiu Tórtima Filho.

Portanto, Welington da Farmácia poderá aguardar o julgamento do recurso em liberdade, salvo se houver novos fatos que justifiquem uma prisão preventiva.

Contexto Familiar e Histórico

A condenação de Welington gera reflexos políticos que vão além de seu gabinete. Ele é o patriarca de um grupo político influente na cidade, sendo pai de André da Farmácia, atual vice-prefeito de Sumaré.

O caso reacende debates sobre a transparência na gestão pública e o combate à corrupção sistêmica em municípios de grande porte. A população de Sumaré aguarda agora os desdobramentos no Tribunal de Justiça e a movimentação na Câmara para saber quem ocupará a cadeira vaga.

Resumo da Condenação:

  • Réu: Welington da Farmácia (MDB).

  • Pena: 8 anos e 3 meses em regime fechado.

  • Crime: Corrupção Passiva.

  • Multa: 170 dias-multa (base de 3 salários-mínimos).

  • Confisco: Perda de valores (aprox. R$ 100 mil encontrados em mochila).

  • Status: Recorre em liberdade.

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