
UVZ iniciou visitas após um cão apresentar resultado positivo; animal aguarda contraprova e município afirma não registrar transmissão da doença
Uma ação preventiva contra a leishmaniose em Hortolândia começou nesta terça-feira (27), no Jardim Santa Clara do Lago II. Equipes da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) percorrem residências após um cão da região apresentar resultado positivo para a doença.
O resultado ainda passa por confirmação. Segundo a Prefeitura, o animal permanece na casa do tutor e a UVZ aguarda o exame de contraprova.
Por isso, a ocorrência não significa que exista transmissão confirmada de leishmaniose no município.
Hortolândia é classificada pela Vigilância como uma cidade vulnerável por estar próxima de municípios onde há transmissão, mas, segundo a UVZ, não registra até o momento a presença do inseto transmissor nem casos que caracterizem transmissão local.
Leishmaniose em Hortolândia motiva visitas no Santa Clara
Nesta primeira etapa, agentes da UVZ visitam imóveis onde vivem cães no Jardim Santa Clara do Lago II.
Durante o trabalho, as equipes orientam os moradores sobre a doença, entregam material informativo e fazem o levantamento da quantidade de animais existentes nas residências.
A Prefeitura pede que os tutores recebam os profissionais, já que as informações coletadas serão utilizadas para organizar a próxima fase da investigação.
Após o feriado, as equipes deverão retornar aos imóveis cadastrados para realizar o inquérito sorológico nos cães.
Cães terão amostras de sangue coletadas
O inquérito sorológico consiste na coleta de amostras de sangue dos animais.
Segundo a UVZ, o material será encaminhado para análise no Instituto Adolfo Lutz, em Campinas.
A medida permitirá verificar se existem outros cães com evidências de infecção na região.
A coleta faz parte das ações de vigilância recomendadas quando surge uma suspeita relacionada a zoonoses de importância para a saúde pública.
O Ministério da Saúde inclui entre essas estratégias o monitoramento de animais, coleta de amostras biológicas, exames laboratoriais e investigação das possíveis fontes e áreas de ocorrência.
Cão com resultado positivo aguarda contraprova
O caso que motivou a ação ainda não deve ser tratado como confirmação definitiva.
A Prefeitura informou que o primeiro exame apresentou resultado positivo, mas uma contraprova está em andamento.
O cão permanece sob responsabilidade do tutor e recebe medidas de cuidado enquanto a Vigilância aguarda o resultado.
A realização da contraprova é relevante porque o diagnóstico oficial precisa seguir os critérios laboratoriais adotados pelos órgãos de vigilância.
Somente depois dessa etapa será possível definir os próximos procedimentos relacionados ao animal.
Hortolândia não registra transmissão da doença
Segundo a Unidade de Vigilância de Zoonoses, Hortolândia é atualmente considerada um município vulnerável à leishmaniose.
Essa classificação está relacionada à proximidade com municípios onde há registros de transmissão.
A UVZ ressalta, entretanto, que a cidade não é considerada um município com transmissão da doença.
Também não há, segundo o órgão municipal, registro da presença do mosquito-palha em Hortolândia.
A ação no Jardim Santa Clara do Lago II tem justamente caráter investigativo e preventivo, para avaliar se existe ou não circulação da doença na região.
Como a leishmaniose é transmitida?
A leishmaniose visceral é uma doença causada por protozoários do gênero Leishmania.
Nas Américas, a espécie associada à transmissão é a Leishmania infantum.
A transmissão ocorre por meio da picada de flebotomíneos infectados, pequenos insetos conhecidos popularmente como mosquito-palha.
O mosquito pode adquirir o parasita ao se alimentar do sangue de um animal infectado e posteriormente transmiti-lo em uma nova picada.
Nas áreas urbanas, os cães são importantes hospedeiros da doença.
Doença não passa diretamente do cão para a pessoa
Um ponto importante é que a leishmaniose não é transmitida diretamente pelo contato com um cachorro infectado.
Abraçar, tocar, receber uma lambida ou conviver com o animal não são formas de transmissão da doença.
Também não ocorre transmissão direta de um cão para outro nas condições habituais.
Para o ciclo clássico de transmissão, é necessária a participação do inseto vetor infectado.
Por isso, as estratégias de vigilância envolvem tanto os cães quanto a identificação e o monitoramento dos flebotomíneos.
Cães podem ficar sem sintomas por muito tempo
A infecção em cães nem sempre produz sinais imediatamente.
Animais infectados podem permanecer meses ou até anos sem apresentar manifestações evidentes.
Quando surgem sintomas, podem ocorrer:
Apatia e fraqueza
Perda de apetite
Emagrecimento progressivo
Feridas na pele
Descamação e perda de pelos
Crescimento exagerado das unhas
Alterações nos olhos
Aumento abdominal
Diarreia e vômitos
A presença desses sinais não confirma isoladamente a leishmaniose, já que outras doenças podem provocar sintomas semelhantes.
A orientação é buscar avaliação veterinária e seguir as recomendações da Vigilância quando houver suspeita epidemiológica.
Leishmaniose também pode atingir seres humanos
A forma visceral da doença também pode acometer pessoas.
Entre os principais sintomas estão febre prolongada, fraqueza, emagrecimento, anemia e aumento do fígado e do baço.
Em casos suspeitos, a orientação é procurar atendimento de saúde.
A doença pode ser grave, mas o diagnóstico e o tratamento para pessoas estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde.
Limpeza dos quintais ajuda na prevenção
Os flebotomíneos se desenvolvem principalmente em ambientes úmidos, sombreados e com matéria orgânica.
Por isso, entre as medidas preventivas recomendadas estão:
Retirar folhas, frutos e restos orgânicos acumulados
Manter quintais e jardins limpos
Recolher fezes de animais
Podar árvores, arbustos e gramados
Manter abrigos de animais limpos
Dar destinação adequada ao lixo orgânico
Também existem medidas específicas para proteção dos cães, como o uso de coleiras impregnadas com inseticida, conforme orientação veterinária e sanitária.
Moradores podem procurar a UVZ
A Prefeitura pede colaboração principalmente dos tutores de cães do Jardim Santa Clara do Lago II durante as visitas.
Quem tiver dúvidas sobre a leishmaniose em Hortolândia ou sobre a ação preventiva pode procurar a Unidade de Vigilância de Zoonoses.
Telefones da UVZ:
(19) 3897-3312
(19) 3897-5974
A próxima etapa será o retorno das equipes às residências para coleta de sangue dos animais cadastrados e envio das amostras ao Instituto Adolfo Lutz.
Até a conclusão dos exames, a orientação é tratar o episódio como uma investigação preventiva, sem afirmar que existe transmissão da doença em Hortolândia.
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