
Município informou primeiro caso positivo em um cão; UVZ aguarda contraprova e realiza testagem de outros 103 animais no Jardim Santa Clara do Lago II
A leishmaniose canina em Hortolândia entrou em uma nova fase de investigação nesta quarta-feira (4). O município informou a identificação do primeiro caso positivo da doença em um cachorro e iniciou a testagem de outros 103 cães domiciliados no Jardim Santa Clara do Lago II.
O animal que apresentou resultado positivo permanece sob os cuidados do tutor, enquanto a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) aguarda o resultado de um exame de contraprova. A medida é importante para confirmar o diagnóstico antes da definição das próximas ações de vigilância.
Enquanto isso, a coleta de sangue dos outros animais começou na terça-feira (3) e deve seguir até quinta-feira (5). As amostras serão encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz, em Campinas, para análise laboratorial.
Leishmaniose canina em Hortolândia mobiliza testagem de 103 cães
A confirmação inicial do caso levou a UVZ a ampliar a investigação na região do Jardim Santa Clara do Lago II. Ao todo, 103 cães cadastrados em residências do bairro estão incluídos no inquérito sorológico.
Os agentes já haviam visitado os imóveis na semana anterior para identificar quantos animais viviam nas casas e orientar os moradores sobre a doença. Agora, a equipe retorna aos endereços para realizar a coleta de sangue dos cães no Santa Clara.
A testagem busca verificar se o caso identificado é isolado ou se existem outros animais com evidências de infecção na mesma área.
Primeiro cão positivo ainda aguarda contraprova
Apesar de o município tratar o episódio como o primeiro caso positivo de leishmaniose canina em Hortolândia, o animal ainda aguarda um exame de contraprova.
Essa segunda análise é utilizada para confirmar o resultado antes da adoção de medidas mais amplas relacionadas ao controle da doença.
Segundo as informações divulgadas pela UVZ, o cão permanece com o tutor e recebe os cuidados necessários enquanto o resultado definitivo não é concluído.
Amostras serão analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz
As amostras coletadas dos 103 cães serão enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, em Campinas. O laboratório é referência no Estado de São Paulo para análises relacionadas a doenças de interesse em saúde pública.
O resultado da testagem deve ajudar a Vigilância a entender se há circulação do parasita entre animais da região e quais medidas adicionais serão necessárias.
Na primeira etapa da investigação, o Conexão Hortolândia já havia mostrado a ação preventiva contra a leishmaniose no bairro, iniciada após o resultado positivo no primeiro cão.
Como a leishmaniose é transmitida?
A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa grave causada por parasitas do gênero Leishmania. A transmissão ocorre pela picada do mosquito-palha infectado.
Não existe transmissão direta do cachorro para o ser humano por contato, saliva, lambidas ou mordidas. O cão infectado pode, no entanto, servir como reservatório do parasita para o inseto transmissor.
Isso significa que o risco está relacionado à presença do vetor e não ao simples convívio com o animal. A prevenção, portanto, envolve tanto o acompanhamento veterinário quanto o controle ambiental.
Sintomas podem demorar a aparecer nos cães
Um dos desafios da leishmaniose canina em Hortolândia e em outras cidades é que um cachorro infectado pode permanecer meses ou até anos sem apresentar sinais aparentes.
Quando surgem, os sintomas mais frequentes incluem:
- perda de apetite e emagrecimento;
- fraqueza, apatia e desânimo;
- feridas na pele, principalmente no focinho e nas orelhas;
- queda de pelos e descamação;
- crescimento excessivo das unhas;
- problemas nos olhos;
- vômitos e diarreia;
- aumento do volume abdominal.
A presença desses sinais não confirma a doença por si só. O diagnóstico depende de avaliação veterinária e exames laboratoriais.
Hortolândia teve um caso humano registrado em 2016
De acordo com dados citados pelo Sistema Único de Saúde, Hortolândia possui registro de um caso de leishmaniose visceral em humanos, ocorrido em 2016.
Nos seres humanos, os principais sintomas incluem febre prolongada, fraqueza, emagrecimento, anemia e aumento do fígado e do baço.
O tratamento para pessoas com leishmaniose visceral é oferecido gratuitamente pelo SUS. A doença pode evoluir de forma grave quando não é diagnosticada e tratada adequadamente.
Prevenção depende do combate ao mosquito-palha
O Ministério da Saúde recomenda medidas voltadas principalmente à redução de ambientes favoráveis ao mosquito-palha, que se desenvolve em locais úmidos e com acúmulo de matéria orgânica.
- manter quintais e terrenos limpos;
- recolher folhas e frutos caídos;
- retirar fezes de animais com frequência;
- limpar os locais onde os cães permanecem;
- evitar acúmulo de lixo e matéria orgânica em decomposição.
Mais informações sobre prevenção, sintomas e tratamento estão disponíveis na página oficial do Ministério da Saúde sobre leishmaniose visceral.
Leishmaniose canina em Hortolândia segue sob monitoramento
Com a testagem dos 103 cães, a leishmaniose canina em Hortolândia passa a ser monitorada de forma mais ampla no Jardim Santa Clara do Lago II.
Os resultados laboratoriais serão importantes para indicar se existe circulação entre outros animais da região ou se o episódio permanece restrito ao primeiro caso identificado.
Moradores que tiverem dúvidas podem procurar orientação da Unidade de Vigilância de Zoonoses pelos telefones (19) 3897-3312 e (19) 3897-5974.
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