
Cerca de 100 famílias de Sumaré voltaram para casa no último domingo (13), depois que as águas do Ribeirão Quilombo baixaram após os alagamentos em Sumaré registrados nos dois dias anteriores. Os moradores encontraram imóveis danificados e começaram a contabilizar os prejuízos deixados pelo temporal.
Desde então, as famílias se dedicam à limpeza das residências, à retirada de móveis, eletrodomésticos e outros objetos estragados pela água, além da tentativa de recuperar o que não foi totalmente perdido. Durante o período crítico da enchente, a maior parte dos moradores buscou abrigo na casa de parentes, enquanto 15 famílias precisaram ser acolhidas no CIE (Centro de Iniciação ao Esporte) Bordon.
Cenário de destruição e alagamentos em Sumaré
Entre os casos mais graves está o da família de Audry Cabral, moradora da Vila Diva, na Região do Matão. Ela retornou para a residência no domingo e encontrou os móveis e eletrodomésticos completamente destruídos pela força da água. Audry registrou em vídeo a situação da casa onde mora desde que nasceu, relatando que encontrou tudo revirado e fora do lugar.
Segundo o relato de Audry, os únicos móveis que resistiram foram os guarda-roupas, construídos em alvenaria justamente por precaução após enchentes anteriores. Ela apontou que a cozinha, a geladeira tombada, a sala e os equipamentos da mãe também foram duramente atingidos, além de relatar um forte mau cheiro e lama acumulada nos cômodos.
De acordo com a Defesa Civil da Prefeitura de Sumaré, o município registrou 144 milímetros de chuva, o equivalente a 140 litros de água por metro quadrado, em um intervalo de 48 horas entre quinta-feira e sábado. Em 72 horas, o volume acumulado superou 200 milímetros, ou 200 litros de água por metro quadrado, configurando o maior índice registrado entre os municípios da Região Metropolitana de Campinas no período.
Bairros atingidos e ações de limpeza
O transbordamento do Ribeirão Quilombo provocou ocorrências de alagamentos em Sumaré em 18 pontos de diferentes bairros. As cheias afetaram as áreas mais baixas da Vila Diva, da ocupação Três Pontes, dos jardins Primavera, São Domingos, Manchester, Dulce, Picerno e Jatobá, além da Rua Crenac, no Jardim Basilicata.
Com o recuo das águas no domingo, uma segunda força-tarefa foi montada pela administração municipal para limpar as áreas afetadas, desobstruir vias públicas, retirar resíduos acumulados e prestar atendimento direto às famílias atingidas pela emergência climática.
Orientações de saúde e prevenção à leptospirose
Desde segunda-feira, equipes da Vigilância em Saúde do município visitam as regiões afetadas para orientar os moradores sobre a prevenção e os sintomas de doenças transmitidas pela água, com foco especial na leptospirose. A enfermidade é uma infecção causada por bactérias do gênero Leptospira, transmitida pelo contato com a urina de animais infectados, principalmente ratos, por meio da água e da lama de rios e córregos que transbordaram.
Os profissionais explicam os cuidados essenciais durante a faxina, recomendando o uso de roupas compridas e de solução de hipoclorito de sódio, conhecida como água sanitária. Alimentos que tenham tido qualquer contato com a água ou com a lama da enchente devem ser descartados imediatamente. A Prefeitura também reforçou a orientação para que os moradores evitem atravessar áreas alagadas a pé ou com veículos.
A Secretaria de Saúde detalha que os primeiros sintomas da leptospirose costumam se manifestar entre cinco e 14 dias após a exposição, podendo surgir em até 30 dias. Os sinais mais frequentes englobam febre, dor de cabeça, dores pelo corpo — especialmente nas panturrilhas e na parte posterior das pernas —, além de vômitos, diarreia e icterícia, que se caracteriza pela coloração amarelada na pele e nos olhos. A orientação é que qualquer pessoa exposta à água contaminada procure atendimento médico ao notar os sintomas.
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