O HC da Unicamp ultrapassou a marca histórica de 10.500 transplantes realizados ao longo de quatro décadas de atendimento à população. A trajetória de sucesso do serviço é marcada por histórias de superação, como a da aposentada Antônia D’Maschio Salmazzo, de 67 anos, que representa o procedimento de número 10 mil no hospital após receber um novo rim no ano passado, encerrando um período desgastante de hemodiálise iniciado em 2023.

O primeiro procedimento cirúrgico desse tipo na instituição foi um transplante renal realizado em 1984. Desde então, o hospital consolidou sua posição como um dos principais centros médicos do estado de São Paulo, registrando mais de 3.700 transplantes de rins e superando a marca de 3.000 cirurgias de córnea. A unidade também executa com regularidade transplantes de fígado, coração e medula óssea, ampliando as perspectivas de sobrevida para centenas de pacientes.

Desafios na fila de espera do HC da Unicamp

Apesar do avanço nos números e do impacto positivo na vida dos pacientes, milhares de pessoas ainda aguardam por uma oportunidade cirúrgica no estado de São Paulo, onde a lista oficial contabiliza atualmente 29.635 pacientes. Desse total, mais de 20 mil aguardam por um rim e quase 9 mil precisam de uma córnea. A relação de espera também inclui 422 pessoas à espera de um fígado e outras 249 que necessitam de um transplante de coração.

Especialistas apontam que a redução dessas filas depende de múltiplos fatores estruturais e logísticos. Entre as principais barreiras enfrentadas pela rede pública de saúde estão a escassez de doadores compatíveis, a limitação de equipes médicas especializadas, a carência de leitos de unidades de terapia intensiva e a insuficiência de recursos financeiros para manter e expandir os serviços de captação e transplante.

Importância do diálogo familiar e cadastro de doadores

Para a médica Ilka Boin, professora da Unicamp e integrante da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, o processo de captação começa fundamentalmente dentro de casa. A especialista ressalta que a declaração da vontade em vida é indispensável, uma vez que, diante de um quadro de morte encefálica, a família é consultada e a doação só é efetivada mediante a autorização dos parentes com base no que foi conversado previamente.

No cenário atual do HC da Unicamp, a demanda permanece intensa, com 28 pacientes ativos na lista de espera apenas para transplante hepático, mesmo após a realização de quatro cirurgias do tipo na mesma semana. Interessados em manifestar oficialmente a intenção de doar órgãos podem utilizar a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, a AEDO, um registro gratuito disponível na internet pelo site aedo.org.br, reforçando a necessidade de comunicar a decisão aos familiares.

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